033 – A festa dos leprosos

“Tendo chegado às imediações do acampamento os leprosos entraram numa das tendas. Comeram e beberam; pegaram prata, ouro e roupas e saíram para esconder tudo. Depois voltaram e entraram noutra tenda, pegaram o que quiseram e esconderam isso também” – 2aRs.7.8.

A Síria, comandada por Ben Hadade, cerca Samaria, capital de Israel. O cerco era algo como um embargo econômico, que impedia qualquer israelita de sair de Samaria. Daí que a provisão de alimentos acabava e forçava a rendição, sem batalha. O cerco da Síria durou tanto que chegou ao ponto de uma mãe devorar de fome o próprio filho (2aRs.6.28-29)! A situação era caótica e desesperadora por trás dos muros de Samaria.

Quatro leprosos, sem opção favorável, resolveram apostar na rendição, e saíram de Samaria para se entregar ao exército de Ben Hadade. Os leprosos, assim, por toda a vida haviam sido marginalizados, mas agora são testemunhas de um grande milagre: o exército inimigo fugira sem qualquer ameaça de Israel, mas pelo temor do Senhor, que mandara seu exército celestial. O exército Sírio fugiu, deixando para trás alimentos e objetos preciosos: foi a festa para os leprosos, que se fartaram até o fim da tarde, esbaldando-se em alimento e saqueando o tesouro inimigo.

Observemos: não havia mais inimigo, pois o Senhor os havia derrotado, mas o povo não sabia, e por isso, sofriam a tragédia da fome e do desespero. Sofriam por um inimigo já vencido, enquanto os leprosos esbanjavam-se com os seus despojos.

Quantas vezes não ficamos na mesma situação dos leprosos: sabemos que Cristo já venceu a morte, nos livrou do pecado e ficamos a se esbanjar, saqueando os inimigos enquanto há tantos eleitos de Deus que estão como o povo em Samaria, sofrendo por um inimigo já vencido. Vivemos uma vida sem nos preocuparmos com a Samaria caótica, que necessita de uma única boa notícia, e nos esquecemos que antes éramos leprosos devorados pelo pecado.

Que o nosso coração nos acuse, dia-a-dia, tal qual o de um dos leprosos: “Não estamos agindo certo. Este é um dia de boas notícias, e não podemos ficar calados. Se esperarmos até o amanhecer, seremos castigados” (7.9).

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