035 – Apunhalado pela calúnia

“Eles me cercaram com palavras carregadas de ódio; atacaram-me sem motivo. Em troca da minha amizade eles me acusam” – Sl.109.3-4.

A calúnia é a fofoca mentirosa espalhada pelos falsos amigos para destruir a honra alheia. A calúnia faz da língua um punhal e do ouvido da multidão as costas do inimigo. A calúnia, armada do ódio, cerca e ataca aqueles que se oferecem como amigos: “Eles me cercaram com palavras carregadas de ódio; atacaram-me sem motivo. Em troca da minha amizade eles me acusam” – v.3-4.

Por isso, o autor do Salmo 109 aponta que o caluniador deve ser acusado por Satanás na presença de Deus: “à sua direita esteja um acusador. Seja declarado culpado no julgamento, e que até a sua oração seja considerada pecado” (v.6-7). Sua vida e até a sua família devem ser destruídas (v.8-9), e seus filhos devem padecer na miséria (.v10). Ele deve perder tudo o que um dia conquistou (v.11-13).

Esse extremismo no juízo ao caluniador não é sem razão. O coração daquele que calunia bombeia um sangue maligno: “ele jamais pensou em praticar um ato de bondade, mas perseguiu até à morte o pobre, o necessitado e o de coração partido” (v.16). Os efeitos de sua língua são criminosos, mas as feridas são vistas e sentidas apenas na solidão da vítima, que tem o coração abatido (como o gado), definha o ânimo nas trevas e destrói o corpo, pois expõem a honra do homem à zombaria das multidões: “Sou pobre e necessitado e, no íntimo, o meu coração está abatido. Vou definhando como a sombra vespertina; para longe sou lançado, como um gafanhoto. De tanto jejuar os meus joelhos fraquejam e o meu corpo definha de magreza. Sou motivo de zombaria para os meus acusadores; logo que me vêem, meneiam a cabeça” (v.22-25).

No entanto, quem de nós possui os lábios puros para orar contra o caluniador? Quem não estaria no meio da multidão escarnecedora diante de Jesus subindo o Gólgota com sua cruz amaldiçoada? Quem se assemelha a Cristo que, diante dos seus caluniadores, sendo Ele o único justo, fala ao Pai: “Perdoa-lhes, pois não sabem o que estão fazendo” (Lc.23.34)?

Este salmo nos ensina uma lição preciosa sobre como lidar com a calúnia. A confiar a Deus a própria honra pela oração com ações de graças: “Em troca da minha amizade eles me acusam, mas eu permaneço em oração (…) Em alta voz, darei muitas graças ao Senhor; no meio da assembléia eu o louvarei, pois ele se põe ao lado do pobre para salvá-lo daqueles que o condenam” – Sl.109.4, 30-31.

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