Ragnarök – o crepúsculo dos deuses

Conheça o ragnarök, a narrativa do fim dos tempos da mitologia nórdica, uma série de eventos futuros que leva a uma terrível batalha entre os deuses, culminando na morte de Loki, Odin e Thor, entre outros deuses.





O ragnarök é a narrativa do fim dos tempos da mitologia nórdica (a mitologia dos vikings). É a escatologia nórdica. A palavra “ragnarök” quer dizer, literalmente, “crepúsculo dos deuses”, ou “destino final dos deuses”, isso porque é no ragnarök que ocorre a batalha final em que morrem os principais deuses da mitologia, como Odin, Loki e Thor.

As principais fontes dessa história são dois conjuntos de poemas e narrativas mitológicas, ambos compilados pelo historiador irlandês Snorri Sturluson, no século XIII, escritos em nórdico antigo. Esses escritos são chamados de Edda Poética e Edda em Prosa. Atualmente, essas Eddas estão manuscritas no chamado Codex Regius, que faz parte de um conjunto de mais ou menos 700 manuscritos medievais irlandeses datados dos séculos XII-XVI.

Como esses escritos datam de um período posterior à cristianização dos países nórdicos, vê-se claramente certa influência das histórias bíblicas nesses mitos, especialmente do Apocalipse de João.

Um observador atento poderá encontrar a influência da mitologia nórdica e do ragnarök em várias outras histórias de ficção, como Vingadores, Thor, O Senhor dos Anéis e até mesmo em Game of Thrones.

Vamos conhecer essa história?

O prelúdio da batalha final

Esta é uma era de machado, uma era de espada, uma era de vento, uma era de lobo. O ragnarök está para acontecer…

O primeiro sinal que precede o destino final dos deuses é o Longo Inverno, chamado de “fimbulwinter“, que serão três invernos sucessivos em Midgard, o mundo dos homens da mitologia nórdica. Durante esse período, a neve cairá em todas as direções. Além disso, muitas guerras entre os homens serão sucedidas. Assim descreve esse período o verso nórdico:

“Irmãos lutarão
e matarão uns aos outros,
os filhos das irmãs
sujarão o parentesco.
Isso é duro no mundo,
prostituição corrente
— uma era de machado, uma era de espada (e o sol surge)
uma era de vento, uma era de lobo
—antes que o mundo vá precipitadamente.
Nenhum homem terá
misericórdia para com o outro”

Yggdrasil, o eixo dos 9 mundos

Após iniciar o Longo Inverno, outras graves catástrofes naturais ocorrerão.

Os lobos gigantes Skoll e Hati, filhos do lobo Fenris, que passaram suas vidas perseguindo o Sol e a Lua, finalmente alcançarão seus objetivos: Skoll devorará o Sol, e Hati, a Lua. Por isso, Midgard ficará em trevas e mais guerras e tumultos ocorrerão entre os homens, que veem isso como um temeroso sinal.

Um outro terrível desastre natural ocorrerá. Yggdrasil é uma árvore colossal que perpassa, como um eixo, os 9 mundos da mitologia nórdica. Midgard fica no tronco, os submundos ficam abaixo de Midgard, e Asgard, o mundo dos deuses, fica nos galhos. Nesse período, Yggdrasil estremecerá, causando um violento terremoto. Além de grande destruição, esse terremoto irá libertar o lobo gigante Fenris, que é filho do trapaceiro Loki, que estava preso sendo torturado em três rochas, e também será liberto.

Gigantes de gelo de Game of Thrones como referência da cultura nórdica

Finalmente, uma terceira catástrofe natural irá preceder o ragnarök. Jormungand é uma serpente gigantesca. Ela é filha de Loki e irmã do lobo Fenris. Ela vive no oceano que circunda Midgard. Nesse período, ela emergerá do mar, lançará venenos por todos os lados e estremecerá, causando inundações e ondas enormes. Com isso, será solto o barco Naglfar, embarcação construída com unhas dos mortos, que transportará os gigantes de gelo.

Nisso, o ragnarök está para ocorrer, e todos precisam ser avisados. Três galos anunciam a chegada do acontecimento: um galo carmesim canta e avisa os gigantes de gelo; o galo dourado, em Valhalla (o salão do palácio de Odin), avisa os deuses, e o galo cor de fuligem vermelha, no submundo de Helgardh, avisa os mortos.

A batalha final está para acontecer.

Loki, o trapaceiro, meio deus e meio gigante, filho de Odin

A batalha do crepúsculo dos deuses

O meio deus, meio gigante Loki, filho de Odin, será um dos grandes adversários dos deuses de Asgard. Após ser solto, ele chegará na cidade dos deuses pelo navio Naglfar, liderando um exército de mortos, vindos de Hel. Nesse mesmo barco estão os gigantes de gelo.

Para juntar-se a Loki e aos gigantes de gelo, o terrível Surt com sua espada brilhante de fogo liderará os gigantes de fogo, saindo de Muspelheim até Asgard pelo bifröst, que é a única ponte ligando Asgard (mundo dos deuses) a Midgard (mundo dos homens). O lobo Fenris estará com eles. Quando eles atravessarem esse ponte, ela se quebrará.

Enquanto essa ofensiva chega a Asgard, Heimdall, o deus que guarda o bifröst, toca o Gjarlharhorn, um chifre que convoca os deuses para a batalha. Ele pode ser ouvido nos 9 mundos.

Assim, os dois clãs de deuses – os aesires, deuses celestes, moradores de Asgard, e os vanires, deuses terrestres – se unem para a batalha contra Loki, Sutur e os demais monstros.

Heimdall, o guardião de Asgard, avisa os deuses da invasão de Loki

Além destes, se juntam em favor dos deuses os einherjar, os guerreiros de Odin, que são os heróis humanos mortos em batalhas. Estes vivem na Valhalla, o palácio de Odin. Eles são convocados por Odin para a batalha.

Todos se dirigem às planícies de Vigrid, lugar profetizado para a última batalha. Loki, os mortos e os gigantes de gelo, com Sutur, os gigantes de fogo e o lobo Fenris, mais anões, elfos e outros monstros, todos contra os deuses Odin, Thor, Vidar, os aesires e os vanires, e os heinherjar. Todos se enfrentam em Vigrid – inicia a batalha do destino final dos deuses.

Fenris luta contra Odin

Odin, o pai de todos os deuses, enfrenta o feroz lobo gigante Fenris numa batalha sangrenta que culmina com o lobo devorando o deus.  Vidar, filho de Odin, por sua vez, vinga o  pai abrindo as duas mandíbulas do lobo, dividindo-o ao meio.

Thor, o deus do trovão e protetor de Midgard, enfrenta a maligna serpente Jormungand, que está espalhando veneno por todos os lados. Numa luta violenta, Thor, com seu Mjölnir, consegue ferir mortalmente a serpente. No entanto, consegue dar apenas 9 passos para trás, e morre em seguida devido ao veneno da serpente.

A batalha segue sangrenta, levando os deuses à morte.

Heimdall e Loki se enfrentam numa luta brutal a tal ponto que os dois caem mortos juntos.

Surt, o líder dos gigantes de fogo, com sua espada brilhante, incendeia os 9 mundos a tal ponto que derruba Yggdrasil, a árvore que era o eixo dos mundos. Os mundos queimam no fogo, mas Midgard submerge no mar.

É a última batalha. É o crepúsculo dos deuses.

Vidar vinga o pai e destrói Fenris lobo

Poslúdio da batalha

Lif e Lifthrasir, sobreviventes do rangarök

Após essa última batalha, não será o fim de todas as coisas. Um novo mundo irá renascer, um novo sol e uma nova lua.

Além do mais, alguns deuses irão renascer. Balder e Hoder virão de Hel, Vidar, Vali e Hoenir, filhos de Odin renascerão e Magni e Modi, filhos de Thor, herdarão o Mjölnir.

Ainda, dois seres humanos, Lif e Lifthrasir, terão se escondido dentro de uma casca da Yggdrasil e sobreviverão. Eles se alimentarão do orvalho da manhã e seus filhos serão os novos descendentes humanos no mundo.

Reinará a paz entre deuses e homens. E o ciclo se inicia.

Esse é o ragnarök, o fim dos tempos da mitologia nórdica.


Consulta:
O livro ilustrado dos mitos, Neil Philip

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