62 – Ninguém merece seu mau humor

Série Vida de Estudante

As palavras “camarada” e “companheiro”, respectivamente, significam “aquele com quem se divide a câmara (ou o quarto)”, e “aquele com quem se divide o pão”. Refere-se, assim, àquelas pessoas de confiança com quem se mora, mas que não fazem parte da família.

Quando um estudante cristão passa em uma Universidade em uma cidade longe de seus pais, ele logo precisa encontrar o seu grupo de camaradas e companheiros com quem vai dividir sua “república de estudantes”.

Este grupo pode ser formado por velhos amigos, ou por contatos conhecidos na ocasião. Pode ser de outros cristãos ou não. De todo modo, seu novo modo de vida, independente de com quem irá morar, passará por grande transformação. Ele não morará mais com seus pais, mas também ainda não morará com sua esposa ou marido, com quem terá um pacto de amor. Por isso, é preciso lembrar-se de uma regra simples da boa vizinhança: ninguém merece o seu mau humor!

No livro de Provérbios, somos lembrados de algumas lições de boa camaradagem. Em 21.9, a Palavra diz: “Melhor é viver num canto sob o telhado do que repartir a casa com uma mulher briguenta”. O autor acha tão importante isso, que repete em 25.24; Em 21.19, continua: “Melhor é viver no deserto do que com uma mulher briguenta e amargurada”, e em 27.15, diz “a esposa briguenta é como o gotejar constante num dia chuvoso”.

O livro nos ensina que é melhor morar no telhado, no deserto e numa cela de tortura em que há um gotejar constante, que com o rabugento!

O contexto é de marido e mulher: ninguém merece o mau humor!

Mas, se no contexto de marido e mulher já é difícil, quanto mais num ambiente de república, em que não há um laço tão fonte quanto o do casamento!

Se você mora em uma república, cuidado como tem tratado seus companheiros e camaradas. Eles não são seus pais. Aliás, nem eles merecem alguém que vive brigando.

O livro dos Provérbios continua ensinando: “Não se associe com quem vive de mau humor, nem ande em companhia de quem facilmente se ira” (Pv.22.24).

Decore: o mau vizinho ficará sozinho. O mau companheiro morrerá solteiro.

Quando o apóstolo Paulo teve que lidar com pessoas rabugentas, ele advertiu: “Nada façam por ambição egoísta ou por vaidade, mas humildemente considerem os outros superiores a si mesmos. Cada um cuide, não somente dos seus interesses, mas também dos interesses dos outros. Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus” (Fp.2.3-5), e continuou: “Façam tudo sem queixas nem discussões, para que venham a tornar-se puros e irrepreensíveis” (Fp.2.14-15).

Jesus Cristo seria um excelente companheiro de república. Seja também um Cristo para o seu camarada!

Dica de livro

61 – A glória dos cientistas

Série Pastorais ao universitário cristão

A glória de Deus é ocultar certas coisas; tentar descobri-las é a glória dos reis. Assim como o céu é elevado e a terra é profunda, também o coração dos reis é insondável” Pv.25.2,3

É possível refletir a glória de Deus numa defesa de mestrado.

Recentemente fui assistir uma banca na área de física quântica. Eu não entendi bulhufas, nada mesmo. Fui apenas para prestigiar uma amiga.

No entanto, fiquei encantado com a profundidade do seu conhecimento ao tratar das pesquisas com os raios solares. É o mesmo encantamento que tenho, por exemplo, quando penso na complexidade de um túnel de uma estação de metrô. O mesmo de uma ponte que atravessa rios. Ou de uma obra literária como a de Saramago.

De certa forma, o que todos os que realizaram essas coisas tem em comum é que, querendo ou não, resplandecem a glória de Deus.

Em Provérbios 25.2, Salomão nos diz: “A glória de Deus é ocultar certas coisas”. O mistério é glorioso para o Criador. Foi o salmista quem disse: “Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que ali firmaste, pergunto: Que é o homem, para que com ele te importes?” Sl.8.3-4. O mistério da criação de Deus nos torna encantados com o seu poder.

Se o cientista não suprimir a verdade pela injustiça (Rm.1.18-19), ele investigará os mistérios de Deus encobertos na natureza e glorificará seu Criador.

Mas Salomão também reconhece a glória das descobertas dos cientistas.  

Ele diz: “tentar descobri-las é a glória dos reis”.

Os reis, que naquele tempo serviam de cientistas, recebiam sua glória descobrindo as potencialidades da criação, construindo obras inimagináveis manipulando um minério, extraindo da flora a cura para as pestes etc

Afinal, Salomão mesmo era um deles. Veja seu lattes: “(Salomão) descreveu as plantas, desde o cedro do Líbano até o hissopo que brota nos muros. Também discorreu sobre os quadrúpedes, as aves, os animais que se movem rente ao chão e os peixes” 1Rs.4.33.

Salomão glorificou a Deus enquanto dormia pensando nas propriedades do hissopo, e percebia irradiar a glória de Deus ao revelá-las aos súditos.

Quantos segredos mais não estão encobertos, esperando ser extraídos? Quantas surpresas e esperanças ainda não estão lá, no fundo dos mares, nas relações entre as células, nas altas estrelas; surpresas estas que podem mudar o modo como nos comunicamos, podem extinguir um mal na humanidade, ou simplesmente nos elevar o espírito?

Salomão está convidando os reis, aqueles a quem foi dado o poder de dominar sobre a terra, a buscarem sua glória escondida por Deus, e assim, serem eles mesmos um canal de irradiação da glória do Criador.

Enquanto os cientistas realizam suas obras sob os olhos admirados dos leigos, no íntimo do cientista, ele estará dizendo: “Grandes são as obras do Senhor; nelas meditam todos os que as apreciam” Sl.111.2.

Dica de livro

017 – Guarde seu corpo

série Vida de estudante

Em muitos contextos, entrar na Universidade não significa a preparação para uma carreira, mas a fase de vida em que se usufrui de um banquete de desejos. Espera-se na Universidade maior liberdade para a experiência sexual, e as festas e os bares estarão lá, postos para conduzir os estudantes nessa direção.

Para um jovem cristão, que procura andar no caminho do Senhor, mesmo que não tenha essa expectativa da Universidade, certamente será severamente tentado nessa área.

Primeiro, porque estará numa fase cujo corpo está pronto e os motores estarão ligados para a sexualidade. Nessa fase, o casamento já deveria ter ocorrido, mas a complexidade de nossa sociedade nos faz adiá-lo e, assim, maltratamos o corpo.

Segundo porque, provavelmente, o estudante morará longe dos olhos vigilantes e ensinadores dos pais. Poderá morar sozinho, ou ficar bastante tempo sozinho enquanto os companheiros de república viajam. A casa vazia será um convite para o pecado.

Por isso, mais do que em outras fases da vida, o estudante deve estar preparado para proteger o seu corpo da impureza sexual.

Mas, por que Deus se importa tanto com nossa sexualidade? Por que preservar o corpo da imoralidade sexual, do sexo casual, de práticas libidinosas com namorado ou namorada?

Primeiro, porque o corpo não é nosso mas é de Deus e é templo do Espírito Santo:

“Fujam da imoralidade sexual. Todos os outros pecados que alguém comete, fora do corpo os comete; mas quem peca sexualmente, peca contra o seu próprio corpo. Acaso não sabem que o corpo de vocês é santuário do Espírito Santo que habita em vocês, que lhes foi dado por Deus, e que vocês não são de si mesmos? Vocês foram comprados por alto preço. Portanto, glorifiquem a Deus com o corpo de vocês” – 1Co.6.18-20.

Nós glorificamos ou desonramos a Deus com o nosso corpo. O nosso corpo não é nosso, somente. Foi comprado por Deus. Quando o sujamos, fazendo com ele aquilo para o que ele não foi criado, ou fora do tempo determinado para isso, então o tornamos impuro. Quando, por outro lado, guardamos puro o nosso corpo, fazendo de nosso corpo aquilo para o qual ele foi feito, e no tempo certo para isso, assim nós glorificamos a Deus.

O segundo motivo do porquê devemos guardar nosso corpo da imoralidade é porque nosso corpo não é nosso, mas de nosso futuro marido ou esposa, e é o jardim fechado deles.

A mulher diz: “Como uma macieira entre as árvores da floresta é o meu amado entre os jovens” Ct.2.3. Ela não quer as árvores do bosque. Ela quer apenas a sua macieira. Já o marido, diz: “Você é um jardim fechado, minha irmã, minha noiva; você é uma nascente fechada, uma fonte selada” Ct.4.12. Nesse jardim, apenas um homem tem direito a entrar e se deleitar. O jardim foi guardado para ele.

O marido e a esposa dizem um ao outro: “Eu sou do meu amado, e o meu amado é meu; ele descansa entre os lírios” Ct.6.3. Eles pertencem um ao outro! Eles querem um relacionamento exclusivo e até a morte:

“Coloque-me como um selo sobre o seu coração; como um selo sobre o seu braço; pois o amor é tão forte quanto a morte, e o ciúme é tão inflexível quanto a sepultura. Suas brasas são fogo ardente, são labaredas do Senhor.
Nem muitas águas conseguem apagar o amor; os rios não conseguem levá-lo na correnteza. Se alguém oferecesse todas as riquezas da sua casa para adquirir o amor, seria totalmente desprezado” – Ct.8.6-7

Deus planejou o sexo para o deleite entre um homem e uma mulher, unidos pelo laço inquebrável do casamento, fortalecido pela fidelidade e amor, guiado por Deus.

Você deve guardar o seu corpo porque ele não é seu. Ele é de Deus e de seu futuro cônjuge. Ele é templo do Espírito Santo e é Jardim Fechado.

No casamento, você receberá o seu banquete, você provará do fruto virginal: a pureza do corpo.

Mas a questão é mais profunda: como conter o vulcão indomável da vontade do corpo?

Primeiro, um ensino do apóstolo Paulo nos ajuda a responder:

“Se não conseguem controlar-se, devem casar-se, pois é melhor casar-se do que ficar ardendo de desejo” 1Co.7.9.

O ensino é duro, mas favorável a Deus. Os pagão é que adiam o casamento por causa de recursos materiais. Os filhos de Deus escolhem a fidelidade, pois sabem que o Senhor acrescentará todas as coisas de que precisam (Mt.6.31-34).

Em segundo lugar, um ensino do apóstolo Pedro:

“Seu divino poder nos deu todas as coisas de que necessitamos para a vida e para a piedade, por meio do pleno conhecimento daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude” 2Pe.1.3.

Não nos falta nada para guardarmos o corpo. Nunca poderemos argumentar que foi inevitável. Nunca poderemos dizer que foi uma tentação mais forte do que podemos suportar.

Aquele que se alimenta da Palavra de Deus, da oração, e da comunhão com a igreja estará suficientemente saciado para guardar o corpo. Os meios de graça nos abastecem com o suficiente para uma vida de santidade.

Foram os meios de graça que auxiliaram Jesus após quarenta dias em jejum, no deserto. Ele venceu a tentação, nós também podemos vencer.

Finalmente, um ensino do apóstolo João:

“Meus filhinhos, escrevo-lhes estas coisas para que vocês não pequem. Se, porém, alguém pecar, temos um intercessor junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo” 1Jo.2.1

João afirma anteriormente que aquele que ama a Deus faz a vontade de Deus. No entanto, é possível que, por um momento, você tenha sido vencido por Satanás e entristeceu o Espírito Santo. E Deus, em sua graça, trouxe-lhe arrependimento. A boa notícia é que em Jesus Cristo há o perdão de pecados. E ele torna puro o nosso caminho.

Em sua graça, ele nos justifica, e purifica o nosso corpo, quando verdadeiramente nos arrependemos de nossos pecados.

Por isso, fujam da imoralidade, porque isso entristece a Deus. Guardem o corpo, pois nosso corpo é de Deus e do seu casamento. Mas, se Satanás o vencer em uma tentação, Jesus é fiel e justo para perdoar os pecados e purificar de toda injustiça!

Como é bom servir a Deus!

Dica de livro