018 – Dons espirituais: unidade, amor e edificação

“Irmãos, quanto aos dons espirituais não quero que vocês sejam ignorantes” – 1Co.12.1

Em sua primeira carta ao Coríntios, o apóstolo Paulo dedica três capítulos para instruir a igreja quanto aos dons espirituais. No capítulo 12, ele nos mostra que o bom uso dos dons tanto é fruto quanto leva à unidade; no capítulo 13 ele nos mostra a inutilidade dos dons realizados sem amor; e no capítulo 14, nos mostra que o propósito dos dons espirituais é a edificação da igreja. Vamos tratar panoramicamente desses três temas, então: unidade, amor e edificação para o bom uso dos dons espirituais.

Unidade – 1Co.12

“Há diferentes tipos de dons, mas o Espírito é o mesmo. Há diferentes tipos de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. Há diferentes formas de atuação, mas é o mesmo Deus quem efetua tudo em todos” – 1Co.12.4-6

Paulo escreve essa sequência de capítulos a fim de tratar uma igreja dividida e facciosa, conforme exposto no capítulo 3. Essa divisão parece ter como um dos resultados que alguns dons pareciam ter mais importância que outros, e assim sendo, alguns eram mais reconhecidos que outros.

A fim de tratar esse problema, Paulo nos fala que o bom entendimento dos dons reconhece que a fonte dos dons é única, e o fruto dos dons é para o bem comum. Sendo assim, os dons devem ser exercidos com o entendimento claro de unidade e comunidade.

Paulo primeiro nos apresenta que a única fonte de toda a diversidade de dons é Deus: “É o mesmo Deus quem efetua tudo em todos” (v.6). Os dons não são fruto de capacidades especiais de alguém, mas todos vem do mesmo Deus. Por isso, não há motivo para vanglória, para competição, para exaltação de um ministério em detrimento do outro. Toda a diversidade de dons na igreja provêm de Deus e nEle a igreja encontra unidade. Portanto, de todo dom emana a dignidade de Deus, e nenhum deve ser menosprezado. Os diferentes dons apresentam uma aparente diversidade na igreja, mas o entendimento da fonte desses dons dá unidade à igreja.

Sendo assim, tendo Deus como fonte, Ele é doador dos dons de forma soberana: “Ele as distribui individualmente, a cada um, como quer” (v.11). Por isso, desprezar ou exaltar um dom em detrimento de outro é desprezar a soberana vontade de Deus.

Esses dons, sendo distribuídos individualmente, de maneira diversa, possuem um propósito claro: “visando ao bem comum” (v.7). O objetivo único dos dons é o bem da comunidade, é cooperar com a unidade. Novamente, a diversidade é unida não apenas pela fonte, mas também pelo propósito. Os diferentes dons vêm do mesmo Deus; os diferentes dons servem ao mesmo propósito.

O apóstolo conclui o capítulo nos apresentando uma ilustração que coopera para o entendimento orgânico da igreja: “Assim como o corpo é uma unidade, embora tenha muitos membros, e todos os membros, mesmo sendo muitos, formam um só corpo, assim também com respeito a Cristo” (v.12).

Aqui, o apóstolo nos apresenta essa organicidade da igreja, que é diversa, mas é única. Tem diferentes funções, mas é um só corpo. Desse modo, ele ressalta a importância de que todos façam aquilo para o que foram chamados, ou o corpo entra em colapso. Se todos quisessem ser pés? Se o nariz pensar que é boca? Assim é a aberração daqueles que desejam fazer aquilo para o que não foram chamados.

Ao mesmo tempo, o entendimento de corpo faz nascer um entendimento de valorização mútua: “Quando um membro sofre, todos os outros sofrem com ele; quando um membro é honrado, todos os outros se alegram com ele” (v. 26). O corpo de Cristo é um só, e só Ele é exaltado quando o corpo trabalha organicamente.

Amor – 1Co. 13.

“Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o sino que ressoa ou como o prato que retine” (v.1).

Agora, após apresentar o entendimento de corpo que aqueles que exercem dons na igreja devem ter, o apóstolo nos mostra como o dom deve ser exercido, isto é: em amor.

Os dons podem ser exercidos por justiça própria, por rivalidade, por competição, por status. No entanto, o apóstolo nos mostra que, embora eu tenha excelência naquilo que faço, tendo essas motivações mencionadas, “nada disso valerá” (13.3). O Senhor rejeita nossas boas obras quando não são exercidos em amor.

Assim como é inútil o serviço feito sem amor, por outro lado, o serviço feito com amor coopera para o entendimento de corpo, para a unidade e para a comunhão, mencionado antes: “O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (v.4-7).

Verifique se há algo no sentimento faccioso que o amor não destrua. Não há. O amor, fruto do Espírito, tal como a frigideira quente, une os grão para fazer a tapioca.

O amor, no exercício dos nossos dons, torna possível a cooperação da ilustração anterior. Só o amor gera unidade e comunhão no serviço.

Um ambiente de competição e inveja, ou ira, ou amargura, são demonstrações de que os dons estão sendo servidos a Deus sem amor, de que estamos apresentando para Deus carne crua e sem tempero, obras sem serem lavadas pelo Espírito Santo.

Edificação – 1Co.14

Finalmente, Paulo conclui a ideia de que os dons servem para edificação da igreja.

Ele já havia dito que: “A cada um é dada a manifestação do Espírito” (12.7), “Ele as distribui individualmente, a cada um, como quer” (12.11), “Deus dispôs cada um dos membros no corpo, segundo a sua vontade” (12.18) e “Vocês são o corpo de Cristo, e cada um de vocês, individualmente, é membro desse corpo” (12.27).

Agora, no capítulo 14, ele exorta: “Sigam o caminho do amor e busquem com dedicação os dons espirituais” (v.1).

Ora, todos os membros foram servidos por Deus com dons espirituais. Ao mesmo tempo, todo crente, que ama a sua igreja, desejará ardentemente servir sua igreja por intermédio dos dons. Se ainda não estamos servindo a Deus na igreja, precisamos, como Paulo advertiu, buscar com dedicação o dom dado por Deus a mim. Esse dom, finalmente, se tornará um ministério.

O dom não exercido morre, mas o dom exercido no caminho excelente do amor chega ao ministério.

Essa procura, no entanto, não é por aquele dom que mais traga exaltação pessoal, exposição de sua própria imagem, ou que me traga maiores benefícios emocionais etc. Paulo mais uma vez nos ensina: “Visto que vocês estão ansiosos por terem dons espirituais, procurem crescer naqueles que trazem edificação para a igreja” (v.12) e “Tudo seja feito para edificação da igreja” (v.26).

Deus dirige sua igreja através dos dons que Ele deu aos seus membros, e que os membros exercem em um ministério. Se a igreja irá entrar em guerra, ele levantará o vigia que tocará a trombeta: “Se a trombeta não emitir um som claro, quem se prepará para a batalha?” (v.8), pergunta Paulo. Veja o risco que corre a igreja que negligencia seus dons.

Somos advertidos por Paulo a nos envolvermos com a edificação da igreja, com o seu desenvolvimento espiritual, que pode redundar, inclusive, na evangelização: “Se entrar algum descrente ou não instruído quando todos estiverem profetizando, ele por todos será convencido de que é pecador e por todos será julgado, e os segredos do seu coração serão expostos. Assim, ele se prostrará, rosto em terra, e adorará a Deus, exclamando: ‘Deus realmente está entre vocês’!” (v.24-25).

Quando a igreja é rica em dons espirituais, ela não apenas se enriquece ainda mais de santidade, quanto impacta aqueles que a visitam, e trazem transformação e quebrantamento.

Assim, Paulo quebra qualquer sentimento faccioso, de vanglória pessoal, de rixa, de amargura por falta de reconhecimento, de inveja; nos mostrando que somos um único corpo em Cristo Jesus, que os nossos dons devem ser exercidos em um ministério fruto do amor à Cristo e à Igreja, e que contribuam para a edificação dessa igreja, e o avanço dela no mundo.

Que o Senhor nos ajude a seguir o caminho excelente do amor e a buscar com dedicação os dons espirituais.

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