017 – Guarde seu corpo

série Vida de estudante

Em muitos contextos, entrar na Universidade não significa a preparação para uma carreira, mas a fase de vida em que se usufrui de um banquete de desejos. Espera-se na Universidade maior liberdade para a experiência sexual, e as festas e os bares estarão lá, postos para conduzir os estudantes nessa direção.

Para um jovem cristão, que procura andar no caminho do Senhor, mesmo que não tenha essa expectativa da Universidade, certamente será severamente tentado nessa área.

Primeiro, porque estará numa fase cujo corpo está pronto e os motores estarão ligados para a sexualidade. Nessa fase, o casamento já deveria ter ocorrido, mas a complexidade de nossa sociedade nos faz adiá-lo e, assim, maltratamos o corpo.

Segundo porque, provavelmente, o estudante morará longe dos olhos vigilantes e ensinadores dos pais. Poderá morar sozinho, ou ficar bastante tempo sozinho enquanto os companheiros de república viajam. A casa vazia será um convite para o pecado.

Por isso, mais do que em outras fases da vida, o estudante deve estar preparado para proteger o seu corpo da impureza sexual.

Mas, por que Deus se importa tanto com nossa sexualidade? Por que preservar o corpo da imoralidade sexual, do sexo casual, de práticas libidinosas com namorado ou namorada?

Primeiro, porque o corpo não é nosso mas é de Deus e é templo do Espírito Santo:

“Fujam da imoralidade sexual. Todos os outros pecados que alguém comete, fora do corpo os comete; mas quem peca sexualmente, peca contra o seu próprio corpo. Acaso não sabem que o corpo de vocês é santuário do Espírito Santo que habita em vocês, que lhes foi dado por Deus, e que vocês não são de si mesmos? Vocês foram comprados por alto preço. Portanto, glorifiquem a Deus com o corpo de vocês” – 1Co.6.18-20.

Nós glorificamos ou desonramos a Deus com o nosso corpo. O nosso corpo não é nosso, somente. Foi comprado por Deus. Quando o sujamos, fazendo com ele aquilo para o que ele não foi criado, ou fora do tempo determinado para isso, então o tornamos impuro. Quando, por outro lado, guardamos puro o nosso corpo, fazendo de nosso corpo aquilo para o qual ele foi feito, e no tempo certo para isso, assim nós glorificamos a Deus.

O segundo motivo do porquê devemos guardar nosso corpo da imoralidade é porque nosso corpo não é nosso, mas de nosso futuro marido ou esposa, e é o jardim fechado deles.

A mulher diz: “Como uma macieira entre as árvores da floresta é o meu amado entre os jovens” Ct.2.3. Ela não quer as árvores do bosque. Ela quer apenas a sua macieira. Já o marido, diz: “Você é um jardim fechado, minha irmã, minha noiva; você é uma nascente fechada, uma fonte selada” Ct.4.12. Nesse jardim, apenas um homem tem direito a entrar e se deleitar. O jardim foi guardado para ele.

O marido e a esposa dizem um ao outro: “Eu sou do meu amado, e o meu amado é meu; ele descansa entre os lírios” Ct.6.3. Eles pertencem um ao outro! Eles querem um relacionamento exclusivo e até a morte:

“Coloque-me como um selo sobre o seu coração; como um selo sobre o seu braço; pois o amor é tão forte quanto a morte, e o ciúme é tão inflexível quanto a sepultura. Suas brasas são fogo ardente, são labaredas do Senhor.
Nem muitas águas conseguem apagar o amor; os rios não conseguem levá-lo na correnteza. Se alguém oferecesse todas as riquezas da sua casa para adquirir o amor, seria totalmente desprezado” – Ct.8.6-7

Deus planejou o sexo para o deleite entre um homem e uma mulher, unidos pelo laço inquebrável do casamento, fortalecido pela fidelidade e amor, guiado por Deus.

Você deve guardar o seu corpo porque ele não é seu. Ele é de Deus e de seu futuro cônjuge. Ele é templo do Espírito Santo e é Jardim Fechado.

No casamento, você receberá o seu banquete, você provará do fruto virginal: a pureza do corpo.

Mas a questão é mais profunda: como conter o vulcão indomável da vontade do corpo?

Primeiro, um ensino do apóstolo Paulo nos ajuda a responder:

“Se não conseguem controlar-se, devem casar-se, pois é melhor casar-se do que ficar ardendo de desejo” 1Co.7.9.

O ensino é duro, mas favorável a Deus. Os pagão é que adiam o casamento por causa de recursos materiais. Os filhos de Deus escolhem a fidelidade, pois sabem que o Senhor acrescentará todas as coisas de que precisam (Mt.6.31-34).

Em segundo lugar, um ensino do apóstolo Pedro:

“Seu divino poder nos deu todas as coisas de que necessitamos para a vida e para a piedade, por meio do pleno conhecimento daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude” 2Pe.1.3.

Não nos falta nada para guardarmos o corpo. Nunca poderemos argumentar que foi inevitável. Nunca poderemos dizer que foi uma tentação mais forte do que podemos suportar.

Aquele que se alimenta da Palavra de Deus, da oração, e da comunhão com a igreja estará suficientemente saciado para guardar o corpo. Os meios de graça nos abastecem com o suficiente para uma vida de santidade.

Foram os meios de graça que auxiliaram Jesus após quarenta dias em jejum, no deserto. Ele venceu a tentação, nós também podemos vencer.

Finalmente, um ensino do apóstolo João:

“Meus filhinhos, escrevo-lhes estas coisas para que vocês não pequem. Se, porém, alguém pecar, temos um intercessor junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo” 1Jo.2.1

João afirma anteriormente que aquele que ama a Deus faz a vontade de Deus. No entanto, é possível que, por um momento, você tenha sido vencido por Satanás e entristeceu o Espírito Santo. E Deus, em sua graça, trouxe-lhe arrependimento. A boa notícia é que em Jesus Cristo há o perdão de pecados. E ele torna puro o nosso caminho.

Em sua graça, ele nos justifica, e purifica o nosso corpo, quando verdadeiramente nos arrependemos de nossos pecados.

Por isso, fujam da imoralidade, porque isso entristece a Deus. Guardem o corpo, pois nosso corpo é de Deus e do seu casamento. Mas, se Satanás o vencer em uma tentação, Jesus é fiel e justo para perdoar os pecados e purificar de toda injustiça!

Como é bom servir a Deus!

Dica de livro

015 – Missionários, o Senhor dá forças

“Esteja ciente da grande reação que ocorrerá depois que você aprender a língua e ficar cansado, exausto de pregar o evangelho para um povo desobediente e contraditório. Às vezes, você ansiará por um retiro silencioso no qual possa ter um descanso do esforço de labutar em uma obra nativa – a incessante, intolerável fricção do árduo trabalho missionário”.

Adoniran Judson, missionário na Birmânia, escreveu essa carta não muito encorajadora aos missionários que ingressavam em sua missão, em 25 de junho de 1832. Ele estava se referindo ao cansaço na vida do missionário, que é tantas vezes subestimado.

O esgotamento físico, emocional e espiritual está à espreita do missionário que trabalha apaixonadamente em sua obra. Sofia Muller, missionária entre povos indígenas na Amazônia, escreveu:

“Para o bem deles eu precisava me manter animada, especialmente nas horas em que me sentia tão esgotada. Eu caminhava sozinha numa trilha atrás da aldeia, para agradecer e pedir o socorro de Deus antes de cada reunião. ‘Ó, Deus, sinto-me cansada e miserável. Deixa-me sentir Tua presença comigo. Dá-me poder hoje para que almas vejam a Ti enquanto Tua Palavra vai sendo proclamada a fim de que nasçam no Teu Reino’”.

Ashbell Green Simonton, missionário pioneiro no Brasil, escreveu em seu diário, após uma de suas pregações ao povo: “Tive novas experiências de minha própria fraqueza e impotência, e necessidade da graça divina”, e mais a frente: “Pressionado com problemas da casa, com a necessidade de recursos para o bebê e com a preocupação da Imprensa, sentia-me exausto e acabado.”

A exaustão no trabalho de Deus é tão presente que uma das ordens mais repetidas a líderes na Bíblia é que sejam fortes. Quando Josué foi colocado como líder do povo de Israel, Deus o disse: “Seja forte e corajoso, porque você conduzirá este povo para herdar a terra que prometi sob juramento aos seus antepassados” (Js.1.6). Davi, ao transmitir o desafio de construir o Templo ao filho Salomão, disse: “Seja forte e corajoso! Mãos ao trabalho! Não tenha medo nem desanime, pois Deus, o Senhor, o meu Deus, está com você. Ele não o deixará nem o abandonará até que se termine toda a construção do templo do Senhor” (1Cr.28.20). Ezequias, diante da ameaça de Senaqueribe, disse aos seus militares: “Sejam fortes e corajosos. Não tenham medo nem desanimem por causa do rei da Assíria e do seu enorme exército, pois conosco está um poder maior do que o que está com ele” (2Cr.32.7). O salmista convoca o povo: “Sejam fortes e corajosos, todos vocês que esperam no Senhor!” (Sl.31.24). O apóstolo Paulo, aos Coríntios, também os encorajou a serem fortes: “Estejam vigilantes, mantenham-se firmes na fé, sejam homens de coragem, sejam fortes” (1Co.16.13).

Aliás, é o próprio Paulo quem nos faz entender melhor de que tipo de força todos estes versículos falam. Aos Efésios, Paulo ora: “para que, com as suas gloriosas riquezas, ele os fortaleça no íntimo do seu ser com poder, por meio do seu Espírito” (Ef.3.16) e, mais a frente, ordena: “Finalmente, fortaleçam-se no Senhor e no seu forte poder” (Ef.6.10). A Timóteo, diz: “Você, meu filho, fortifique-se na graça que há em Cristo Jesus” (2Tm.2.1). Paulo nos faz lembrar que esta força não é força própria, muito pelo contrário: “Mas ele me disse: ‘Minha graça é suficiente a você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza’. Portanto, eu me gloriarei ainda mais alegremente em minhas fraquezas, para que o poder de Cristo repouse em mim. Por isso, por amor de Cristo, regozijo-me nas fraquezas (…) Pois, quando sou fraco, é que sou forte” – 2Co.12.9-10.

Ana, mãe de Samuel, nos lembra em seu cântico: “O arco dos fortes é quebrado, mas os fracos são revestidos de força” (1Sm.2.4). Pedro, por sua vez, nos instrui em (1aPe.4.11): “Se alguém serve, faça-o com a força que Deus provê, de forma que em todas as coisas Deus seja glorificado mediante Jesus Cristo”. Em toda a Bíblia, a força que era exigida dos trabalhadores da seara de Deus não era força própria, mas a força do Senhor e do seu forte poder, aquela que nos coloca de pé quando nos lançamos em Deus, aquela que nos fortalece quando nos enfraquecemos. Aquela que conquistamos em oração, em devoção e confiança no Senhor

Oramos a Deus pelo nosso sustento diário, por sabedoria, por direção, pelos frutos do nosso trabalho. No entanto, muitas vezes, nos esquecemos de buscar no Senhor a força diária, como fez o salmista: “fortalece-me conforme a tua promessa” (Sl.119.28), ou como Sansão: “Ó Deus, eu te suplico, dá-me forças, mais uma vez” (Jz.16.28). Esquecemos que é ele que “fortalece o cansado e dá grande vigor ao que está sem forças” (Is.40.29) e que “é o Deus de Israel que dá poder e força ao seu povo” (Sl.68.35), ou outro salmista: “Quando clamei, tu me respondeste; deste-me força e coragem” (Sl.138.3). E a certeza que temos é que “os olhos do Senhor estão atentos sobre toda a terra para fortalecer aqueles que lhe dedicam totalmente o coração” – 2Cr.16.9.

Por isso Paulo escreve a Timóteo: “Você, meu filho, fortifique-se na graça que há em Cristo Jesus” – 2Tm.2.1.

Sabemos que o Senhor fortalece todos aqueles que o buscam, mas queria convidá-los a observar como esta verdade pode ser aplicada ao ministério do apóstolo Paulo, do início ao fim de seu ministério. A força que agia em Paulo era tão inexplicável quanto a de Sansão e deveria deixar aqueles que com ele convivia como os filisteus diante do juiz de Israel, desejando buscar o segredo de tal força.

O apóstolo nos testemunha que foi a força de Deus, e não a sua própria, que o fez iniciar o ministério: “Dou graças a Cristo Jesus, nosso Senhor, que me deu forças e me considerou fiel, designando-me para o ministério” – 1Tm.1.12.

O início do ministério de Paulo não seria outro se não fosse pela força de Deus. Por sua própria força, Paulo buscou iniciar seu ministério em Damasco e em Jerusalém, em vão, sendo rejeitado e tendo que esperar mais de 10 anos. Neste período, Paulo teve de aprender a depender do Senhor e ser por ele fortalecido. Mas, quando finalmente chegou o dia, Deus lhe deu as forças necessárias.

Mas não foi apenas no início do ministério que Paulo continuou a ser fortalecido pelo Senhor. É verdade que muitos de nós somos muito fortes quando começamos o ministério. Estamos com grandes expectativas, com energia, com ânimo. Mas o tempo é assassino do ânimo, e quantos de nós caímos pelo caminho. Mas Paulo nos testemunha: “Para isso eu me esforço, lutando conforme a sua força, que atua poderosamente em mim” (Cl.1.29). Paulo testemunha do fortalecimento de Deus durante todo o seu ministério: “Não me atrevo a falar de nada, exceto daquilo que Cristo realizou por meu intermédio em palavra e em ação, a fim de levar os gentios a obedecerem a Deus: pelo poder de sinais e maravilhas e por meio do poder do Espírito de Deus. Assim, desde Jerusalém e arredores, até o Ilírico, proclamei plenamente o evangelho de Cristo” (Rm.15.18-19). Paulo reconhece que não foi a sua força, mas foi o poder de Deus que o capacitou para levar o evangelho “desde Jerusalém e arredores, até o Ilírico”. Para quem sabe o custo pessoal do evangelista de uma única alma para Cristo, sabe que esta faixa evangelizada por Paulo foi um feito prodigioso de Deus.

No entanto, Paulo nos testemunha do fortalecimento de Deus até nos seus últimos dias de vida, já velho, sozinho, com frio, preso e abandonado pelos amigos: “Mas o Senhor permaneceu ao meu lado e me deu forças, para que por mim a mensagem fosse plenamente proclamada e todos os gentios a ouvissem” (2Tm.4.17). Paulo deixa um último ensino para Timóteo: O “Senhor permaneceu ao meu lado e me deu forças” até os últimos dias da sua vida.

O Senhor que fortaleceu Paulo é o mesmo Senhor que fortaleceu Sansão em sua vitória solitária contra mil filisteus; é o mesmo que fortaleceu Davi contra o Golias; é o mesmo que fortaleceu Lutero, que traduziu o Novo Testamento do grego em poucos meses; é o mesmo que fortaleceu Calvino, que mesmo em meio a doenças e a muitas tribulações, possui uma produção prodigiosa de exposição bíblica até mesmo para os padrões atuais; o mesmo que fortaleceu William Carey, que deixou um legado de 26 igrejas, 126 escolas com 10 000 alunos, auxílio na tradução das Escrituras em 44 línguas, gramáticas e dicionários, a primeira missão médica na Índia, seminários, escola para meninas, e o jornal na língua Bengali. O Senhor é um Deus que ainda realiza prodígios por intermédio daqueles fracos o suficiente para escoar a força do Seu poder.

Missionários, teremos desânimos, fraquezas e esgotamentos em nossas caminhadas. Mas sejamos fortes e corajosos, erguidos pela força do poder de Deus em nós.

Dica de livro

013 – Quando a igreja é uma

Nunca antes na história do cristianismo foram vistas tantas denominações diferentes autodenominadas cristãs. Isso até poderia ser uma boa notícia, não fosse a grande maioria delas terem surgido por ocasião de cisões, conflitos internos e políticos. E mais além, mesmo dentro de uma denominação, e até ainda em uma igreja local é possível perceber muralhas dividindo pessoas e gerando conflitos que só atrasam a expansão do Evangelho. No salmo 133, Davi expressa a alegria de um rei que pôde ver o seu povo unido, trazendo duas ilustrações que revelam o que ocorre quando a família de Deus está caminhando em unidade.

Contexto

Cremos que no calendário de Davi, ao compor o Salmo, vinha anotado suas recentes conquistas territoriais, suas vitórias diante dos inimigos internos e externos, e o controle total e a pacificação de todo o vasto território de Israel, alcançando assim uma pax israelita. Ele deve ter escrito este salmo ao ouvir o que relata 2a Sm 5.1 “Então, todas as tribos de Israel, viram a Davi, a Hebrom, e falaram, dizendo: somos do mesmo povo de que tu és” (RA). Davi traz não só a unidade política mas a unidade espiritual do povo de Deus, quando restabelece o culto em Jerusalém. Saem caravanas em peregrinação, todas as 12 tribos, de suas regiões, com suas comidas típicas, suas bandeiras, seus heróis próprios, cantam este salmo cada um com seu sotaque, unidos sob um único Deus, quando se encontram na grande praça de Jerusalém.

Portanto, duas coisas não são a unidade da qual estamos falando: esta unidade não é ajuntamento, não é geográfico, nem cultural, mas sim cardiológica, do coração, é espiritual, é teológica, é a unidade em torno de Deus preservando as diferenças. Quantas vezes não vemos igreja grande, igreja cheia, mas entre os bancos há muralhas rígidas, intransponíveis pelo próximo. Isso não é unidade.

Também, unidade não é ecumenismo, não é decretar paz com o inimigo, nos juntar harmonicamente e com aceitação daquilo que a Deus enoja. Antes de Davi unir o povo ele destruiu os templos e os adoradores pagãos. Não entrou em paz com os demônios, pois é união em torno de Deus e não em torno do homem.

O paladar de Deus na unidade:

“Como é bom e agradável quando os irmãos convivem em união!” v.1

O primeiro versículo do salmo mostra que é bom e agradável a unidade do povo de Deus. Interessante a utilização do bom e do agradável, adjetivos tirados do paladar de Deus. Deus achou muito bom quando terminou e viu sua criação (Gn 1.31), e considerou aroma agradável os sacrifícios do seu povo a ele. Assim, a unidade do povo é bom para Davi, é bom para o povo e principalmente é bom e agradável para Deus. Deus gosta da unidade. Deus detesta a facciosidade, a rebeldia. Não é a toa que ficasse feliz pois a história humana até ali estava marcada pela desunião. A começar pela desunião espiritual, entre homem e Deus: “Ouvindo o homem e a mulher os passos do Senhor Deus (…) esconderam-se da presença do Senhor Deus entre as árvores do jardim” (Gn 3.8). Em seguida, a desunião matrimonial, entre Adão e Eva: “Foi a mulher que me deste por companheira” (Gn 3.12). Depois a desunião fraternal, entre Caim e Abel: “Sou eu o responsável por meu irmão?” (Gn 4.9), e finalmente a falência da comunidade, abominada por Deus em Gn 6.

Nem mesmo o povo escolhido por Deus vivia em união. É só pensar em Abraão e Ló, Esaú e Jacó, nos 10 filhos de Jacó e José, no povo do deserto, o povo estabelecido no tempo de juízes e por aí em diante. A história de toda a humanidade é marcada por guerras e conflitos, e mesmo o povo de Deus não foge a esta regra. Mas diz o texto que é bom e agradável quando o povo foge a esta regra demoníaca e se arma com a unidade.

As bênçãos de Deus na unidade:

Na sequência, Davi nos mostra duas comparações de como a unidade do povo é abençoada por Deus.

a) Na unidade Deus se agrada de seu povo.

“É como óleo precioso derramado sobre a cabeça, que desce pela barba, a barba de Arão, até a gola das suas vestes” v.2.

A imagem colocada no texto é a da unção do sumo sacerdote. A unção do sumo sacerdote representa a sua separação para o serviço de Deus e ao mesmo tempo, a separação do povo de Deus, santificando-os. Em Ex 30.28, “você os consagrará (com o óleo) e serão santíssimos, e tudo o que neles tocar se tornará santo” (NVI). A unção representa o serviço sacerdotal, a expiação dos pecados do povo e sua santificação. A beleza da imagem do óleo escorrendo sobre a barba descendo sobre seu peito é melhor entendida quando nos lembramos, conforme indica Ex. 28.17-21, que no peitoral da estola sacerdotal há quatro fileiras de três pedras representando cada tribo de Israel, assim, conforme o óleo escorre por todo o corpo do sacerdote, ele unge e santifica o sacerdote e todas as 12 tribos.

Esta imagem prefigura o sacerdócio de Cristo expiando o pecado de seus eleitos em todas as nações da terra. Em Atos 2 parece vermos situação semelhante quando o óleo precioso de Cristo, seu Santo Espírito, é derramado sobre os diferentes povos que ouvem a pregação de Pedro, e ali o povo eleito restaura a unidade em Deus, em Cristo Jesus, tal como pintinhos acolhidos sob as asas da sua mãe (Mt. 23.37-39).

Quando o povo está em unidade em Cristo Jesus, este povo recebe bênçãos espirituais e o seu louvor sobe a Deus como aroma agradável. Porque o sangue de Jesus foi derramado, este óleo precioso será derramado sobre todas as nações.

b) Na unidade Deus prospera seu povo.

“É como o orvalho do Hermom quando desce sobre os montes de Sião. Ali o Senhor concede a bênção da vida para sempre” v.3.

O monte Hermom está no extremo norte de Israel. Seu pico é coberto de neve e em determinadas épocas esta neve escoa em orvalho, tornando fértil toda a região ao seu redor. Os montes de Sião, por outro lado, estão próximos ao deserto, no sul de Israel. Uma região seca e sem vida. O que une a ambos é o rio Jordão, que nasce próximo ao Hermom e desce até Sião, serpenteando por todo o território israelita. Quando as geleiras da alma são derretidas, o orvalho desce, o óleo precioso desce, o Espírito Santo desce, e a terra reverdece, frutifica e o povo prospera. Os campos ficam verdes e o deserto ganha vida, vida para sempre!

Se eu fosse o diabo, antes de arquitetar qualquer coisa contra a igreja, a primeira coisa que eu faria seria atacar sua harmonia, sua unidade, criando facções, destruindo casamentos, amizades fraternas, tirando a união da comunidade. Por outro lado, se eu fosse o diabo e passasse por uma igreja unida espiritualmente em Cristo, com suas geleiras derretidas e seus desertos orvalhados, trataria de sair de perto, fugiria para longe, pois não há nada mais poderoso sobre a terra que a igreja de Jesus unida, porque ela é santificada por Jesus Cristo e se estende por toda terra. A igreja unida, sob o poder de Deus, derruba as muralhas do Inferno, alarga as fronteiras do evangelho, quebranta corações, transforma sociedades, glorifica a Deus.

Todos juntos no encontro final

Na animação infantil Monstros S/A, da Pixar, há uma cena ilustrativa. O Sullivan, o monstro de figura paterna, sente saudades da Bu, o bebê humano que conheceu através da porta que unia ambos os mundos. Por questões que só dizem respeito ao filme, a porta foi estilhaçada em milhares de pedacinhos e como recordação, o Sullivan guardou um destes pedacinhos. Para surpresa do amigo, Mike mostrou a ele a porta da Bu cheia de ranhuras, mas inteirinha remontada, faltando apenas um único pedacinho para a porta se abrir. Jesus Cristo está unindo o seu povo por todo o mundo trazendo para si gente de todas as tribos, línguas e nações, e cremos que Cristo não deixará que nenhum pedacinho da igreja falte, só quando todos os eleitos receberem a Cristo como seu Senhor a igreja estará completa, e a porta para o encontro com o Pai se abrirá de uma vez por todas.

Sullivan agradeceu ao amigo o esforço em montar a porta, e o amigo mostrou suas mãos marcadas, cheias de esparadrapos, devido ao trabalho que deu juntar os cacos. Diz o texto bíblico que Davi também sujou as mãos de sangue para manter o povo unido. Não foi fácil para Davi unir Israel e não foi barato para Cristo unir o seu povo. Ele tem suas próprias mãos marcadas de sangue por causa disso. Se você anda disseminando discórdia, se organizando em facções dentro do corpo de Cristo, lembre-se que Cristo sangrou suas mãos para ajuntá-lo.

012 – Profissionais em missões

“Mais da metade do mundo está fechada para o missionário convencional (…). Inúmeros desses mesmos países acolhem com satisfação estrangeiros que possuam habilidades que lhes sejam úteis. Grande número dos povos não alcançados de todo o mundo jamais ouvirá a Palavra a menos que cristãos com habilidades profissionais se disponham a ir e fazer com que Jesus Cristo seja anunciado em seu meio”(1). Continue lendo

011 – Luzes brilhando na selva

Era final da tarde e o barco recreio seguia seu rumo subindo o Rio Negro. Dezenas de passageiros já se balançavam nas redes, as luzes estavam apagadas e o som da única televisão sumia diante do barulho rotineiro do motor. O espetáculo do sol se pondo por trás das árvores, colorindo o rio, ia ficando no passado, assim como sumia a única paisagem de toda a viagem: o azul do rio, o verde da floresta e o azul do céu. Nos quatro dias de viagem que fizemos subindo o Rio Negro, navegando mais de oitocentos quilômetros, fomos platéia desta única paisagem, deslumbrante, hipnótica e refrigério para o corpo: o rio refletindo o céu, a floresta refletindo a majestade amazônica e o céu, puro, como foi criado.

Enquanto contemplávamos essa paisagem, dentre os vários bons pensamentos, também pensávamos:

– É muita árvore! É árvore que não acaba mais!

Foram quatro dias, mais de oitocentos quilômetros de árvore. Mas agora estava escuro, a cortina tinha se fechado e o palco estava um breu. O frio noturno fluvial, o silêncio e o motor roncando num mesmo ritmo ninavam todos para dormir. Mas, não sei porquê, fiquei um pouco no costado, curtindo o vento e aquela escuridão fantasmagórica do rio.

De repente, parecia que as estrelas tinham caído na mata: um conjunto de pequenas luzes surgiam no meio daquela escuridão, onde antes estava o verde. Eram como chamas de velas, lá longe. Luzinhas iluminando de dentro da floresta.

Eram fogueiras e luminárias no interior do mato, iluminando algum povoado vivendo ali.

Esperei um tempo mais e outro grupo de luzinhas, e mais outro. Se eu passasse a noite a contar quantos povoados surgiam, perderia a conta.

De dia estavam escondidos na mata. Não havia porto, não havia placas, não havia barcos, eles estavam no fundo da mata. De dia, aquelas pessoas que viviam na mata passavam por nós invisíveis, mas de noite se denunciavam na escuridão.

Grupos isolados, com poucas pessoas que se importam com elas; como crente, a pergunta que passava pela minha mente era “Como ouvirão (o evangelho), se não há quem pregue?” Como haveria, se eles mal são vistos? São invisíveis enquanto passamos.

Retornando a São Paulo, volto a me vislumbrar com os inúmeros arranha-céus e construções da cidade. Caminhando pela cidade, penso:

– É muito prédio! É prédio que não acaba mais!

Mas a noite vem, e a escuridão toma conta da cidade. As janelas, no entanto, resistem na escuridão, revelando vidas lá dentro. O que passa por sua mente?

010 – A cidade que escondeu Deus

Já passava das 20h quando saímos para o trabalho evangelístico com moradores de rua do centro de SP. Após um período caminhando na noite, cruzamos por baixo do Elevado Costa e Silva, em São Paulo. Ali ouvimos um grito distante. De repente, meu amigo Jônatas disparou numa corrida. Quando eu também vi, corri, contornando e subindo para chegar próximo daquele homem, dependurado na beirada do alto do viaduto. A mãe de seus filhos o segurava pela camisa, que já escorregava do corpo. A queda do homem não seria tão mortal se antes não fosse parado pelas setas de ferro das grades apontadas para ele.

Conseguimos frustrar seu suicídio. Muito ofegantes, perguntamos à mulher: “Porquê?”, e ela respondeu envergonhada: “Tá desgostoso da vida”. Perguntamos desajeitadamente e perplexos ao homem: “Cara, você conhece a Deus?” E o homem respondeu, com os olhos perdidos no céu totalmente escuro: “Eu procuro por Deus todos os dias e não o encontro…”

A cidade escondeu Deus. Cobriram as árvores e os campos com ruas e prédios; e os céus e as estrelas com fumaça tóxica. Como lençóis brancos sobre os móveis de uma casa, cobriram a criação natural de Deus e agora Deus está ainda mais escondido. Olham para prédios e arranha-céus e dizem: “São obras das nossas mãos”.

Nas grandes cidades, Deus está ainda mais obscurecido que em qualquer outra parte do planeta. Ele foi ocultado não apenas na natureza, mas também no coração do homem. O secularismo materialista na mentalidade do homem da cidade coloca uma rua de asfalto sobre qualquer ideia de Deus. Não é à toa que aquele homem, pedestre nas ruas escuras da cidade, só encontrou as drogas, o crime e o desespero.

No entanto, Deus furou o bloqueio. Ele se revelou à cidade de uma maneira mais que especial: Ele colocou a Igreja na cidade. A Igreja revela Deus de uma maneira que nem todo o Universo poderia fazer. Mesmo que as estrelas estejam escondidas atrás do fumê da poluição, muito mais próxima de todos, e muito mais brilhante que as estrelas está a Igreja, revelando, do véu rasgado, a Glória de Jesus Cristo.

A escuridão no coração do homem da cidade tem solução, é a luz da Glória de Jesus Cristo: “Das trevas resplandecerá a luz, ele mesmo resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo” – 2Co 4.6.