002 – O abismo entre a boca e o coração

“Creio, ajuda-me a vencer a minha incredulidade!” (Mc.9.24).


Há, no homem, um grande abismo que separa dois despenhadeiros pedregosos. Esse abismo chama-se Hipocrisia, e os dois montes dramaticamente separados chamam-se Crença e Credo. O credo é o que dizemos crer, mas a crença é o que de fato cremos. O credo está na boca, mas a crença está no coração.

Em Marcos 14, vemos Pedro se enrolando com suas próprias as palavras. Nos vs. 27-31, Jesus afirma que os discípulos o abandonariam. Mas Pedro, resoluto, negou (v.29). Então, Jesus diz além, afirmando que Pedro o negaria três vezes. Mas o apóstolo insistiu, se enrolando ainda mais: “Mesmo que seja preciso que eu morra contigo, nunca te negarei” (v.31).

Acontece que as palavras de Pedro estavam longe do seu coração. Nós sabemos o que aconteceu. Jesus tinha razão. Diante de ameaças, Pedro de fato negou a Jesus três vezes (v.66-72).

Mas ele fez pior. Antes disso, no Getsêmani, Jesus havia pedido a Pedro e aos discípulos que vigiassem com Ele em oração. No entanto, os discípulos dormiram! Por três vezes Jesus encontrou os discípulos dormindo e os advertiu: “Vocês ainda dormem e descansam? Basta!” (v.41). Sem qualquer ameaça de morte, Pedro sequer era capaz de vencer o sono para vigiar em oração com Jesus, quanto mais morrer por Ele!

Um discípulo de Jesus deveria levar muito a sério o que diz, pois possui um compromisso com a verdade. A confissão da verdade é a porta de entrada para a vida cristã: “Se você confessar com a sua boca que Jesus é Senhor e crer em seu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo. Pois com o coração se crê para justiça, e com a boca se confessa para salvação” (Rm.10.9-10).

Ser coerente com o que professa crer é uma das marcas de um discípulo, é a demonstração de que a verdade gerou frutos em seu coração. Devemos zelar com o que falamos para Deus. Cantamos na igreja “Tudo entregarei”, mas naquele mesmo culto sonegamos o dízimo.

Mas também devemos cuidar do coração. Devemos sondar o coração para compreender por que sua alma anda ansiosa se ontem mesmo você cantava “Tu és soberano sobre a terra”. Devemos viver e falar movidos pela verdade.

Na angústia de uma vida com este distúrbio entre o credo e a crença, podemos fazer a oração daquele pai desesperado: “Creio, ajuda-me a vencer a minha incredulidade!” (Mc.9.24). Cremos, mas precisamos crer mais para gerar frutos em nossas palavras e atitudes.

Nós cremos, mas precisamos crescer na fé e no conhecimento. O Senhor precisa agir na nossa fé para que nossa vida seja mais verdadeira.

Quando tiver um tempinho, sonde as incoerências da sua vida, entregue ao Senhor e faça aquela oração: “Creio, ajuda-me a vencer a minha incredulidade!” (v.24).

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