010 – A cidade que escondeu Deus

Já passava das 20h quando saímos para o trabalho evangelístico com moradores de rua do centro de SP. Após um período caminhando na noite, cruzamos por baixo do Elevado Costa e Silva, em São Paulo. Ali ouvimos um grito distante. De repente, meu amigo Jônatas disparou numa corrida. Quando eu também vi, corri, contornando e subindo para chegar próximo daquele homem, dependurado na beirada do alto do viaduto. A mãe de seus filhos o segurava pela camisa, que já escorregava do corpo. A queda do homem não seria tão mortal se antes não fosse parado pelas setas de ferro das grades apontadas para ele.

Conseguimos frustrar seu suicídio. Muito ofegantes, perguntamos à mulher: “Porquê?”, e ela respondeu envergonhada: “Tá desgostoso da vida”. Perguntamos desajeitadamente e perplexos ao homem: “Cara, você conhece a Deus?” E o homem respondeu, com os olhos perdidos no céu totalmente escuro: “Eu procuro por Deus todos os dias e não o encontro…”

A cidade escondeu Deus. Cobriram as árvores e os campos com ruas e prédios; e os céus e as estrelas com fumaça tóxica. Como lençóis brancos sobre os móveis de uma casa, cobriram a criação natural de Deus e agora Deus está ainda mais escondido. Olham para prédios e arranha-céus e dizem: “São obras das nossas mãos”.

Nas grandes cidades, Deus está ainda mais obscurecido que em qualquer outra parte do planeta. Ele foi ocultado não apenas na natureza, mas também no coração do homem. O secularismo materialista na mentalidade do homem da cidade coloca uma rua de asfalto sobre qualquer ideia de Deus. Não é à toa que aquele homem, pedestre nas ruas escuras da cidade, só encontrou as drogas, o crime e o desespero.

No entanto, Deus furou o bloqueio. Ele se revelou à cidade de uma maneira mais que especial: Ele colocou a Igreja na cidade. A Igreja revela Deus de uma maneira que nem todo o Universo poderia fazer. Mesmo que as estrelas estejam escondidas atrás do fumê da poluição, muito mais próxima de todos, e muito mais brilhante que as estrelas está a Igreja, revelando, do véu rasgado, a Glória de Jesus Cristo.

A escuridão no coração do homem da cidade tem solução, é a luz da Glória de Jesus Cristo: “Das trevas resplandecerá a luz, ele mesmo resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo” – 2Co 4.6.

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