009 – A dignidade do evangelho no trabalho

“O que furtava não furte mais; antes trabalhe, fazendo algo de útil com as mãos, para que tenha o que repartir com quem estiver em necessidade” – Ef. 4.28

Willie Sutton foi um lendário assaltante a banco dos EUA, a quem um dia perguntaram: “Por que você rouba bancos?”, e reza a lenda que ele respondeu: “Porque é lá que está o dinheiro”.

Os meios inescrupulosos de acumular dinheiro são apenas algumas das características do velho homem, descritas pelo apóstolo Paulo. Agora, ele nos mostra três profundas sentenças sobre a dignidade do evangelho no trabalho, a contrapartida do roubo para aqueles que foram alcançados pela graça.

A primeira sentença nos ordena a abraçar a justiça. Ela diz: “O que furtava não furte mais”. Me parece que há uma parcela de evangélicos que não entendeu isso. Quantos têm trazido vergonha ao evangelho, sendo constrangidos em roubos! Todavia, indo para além do roubo criminal, o “não furtes mais”, que é um eco dos dez mandamentos, aponta para uma justiça que nos leva a não trabalharmos aquém de nossas forças, roubando nossos chefes. Ou, por outro lado, não pagar um salário indigno, roubando nossos funcionários.

A segunda sentença nos ordena a abraçar a produtividade: “antes trabalhe, fazendo algo de útil com as mãos”. A solução para o roubo é o trabalho. Mas o apóstolo vai além. O trabalho também possui um aspecto positivo, devemos fazer “algo de útil com as mãos”. O nosso trabalho deve produzir coisas boas para o mundo. Temos que ter consciência do fruto do nosso trabalho sem estarmos alienados, pois o trabalho não é apenas a solução para o roubo ou para o sustento pessoal, mas é também o meio pelo qual o Senhor providencia coisas boas para o mundo através do seu povo.

A terceira sentença vai ainda mais fundo no propósito social do trabalho: “para que tenha o que repartir com quem estiver em necessidade”. O trabalho do cristão não é apenas a contrapartida para o roubo, nem tem apenas como propósito a produção de coisas boas para a sociedade, mas é a solução para a pobreza daqueles que não tiveram a mesma oportunidade. Ou seja, o que ganhamos com o nosso trabalho não é para acúmulo de capital ou construção de um reino pessoal, mas para o auxílio circunstancial do próximo. Quando o evangelho nos transforma, nós abandonamos o consumismo materialista e abraçamos a generosidade.

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